Dúvidas sobre a construção da ponte suspensa mais longa do mundo surgem após decisão judicial.

O Tribunal de Contas da Itália (Corte dei Conti) rejeitou a aprovação daquela que seria a ponte suspensa mais longa do mundo, a Ponte do Estreito de Messina, que ligaria a Sicília à Calábria, na Itália.

Representação gráfica da Ponte do Estreito de Messina, que liga a Itália continental à Sicília. Imagem: Webuild

O projeto de € 13,5 bilhões (US$ 15,7 bilhões) já havia recebido aprovação política em Roma e a empreiteira italiana Webuild, que lidera o consórcio Eurolink responsável pela sua construção, anunciou há poucos dias que começaria a contratar milhares de pessoas antes do início das obras.

Mas o projeto ainda precisava da aprovação da Corte dei Conti, que controla os gastos públicos no país, bem como de agências ambientais em nível nacional e da União Europeia.

A decisão do Corte dei Conti lança dúvidas sobre o futuro do projeto. O tribunal não apresentou imediatamente as razões para a sua decisão, mas, em audiências realizadas na quarta-feira (29 de outubro), os advogados questionaram se o concurso, originalmente feito em 2005, ainda era válido e apontaram para o aumento exorbitante dos custos projetados.

O ministro da Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, pediu ao governo que ignorasse a decisão do tribunal e argumentou que a economia local depende do projeto.

Salvini declarou ao jornal italiano Corriere della Serra: “Minha proposta é retornar ao gabinete e aprovar o projeto novamente. Então o parlamento o aprovará.”

“Há bilhões em jogo aqui, centenas de milhares de empregos estão em risco e milhares de empresas estão prontas para começar. Impedir-nos é um absurdo.”

O governo pode optar por ignorar a decisão e prosseguir com o projeto, porém, isso aumenta a possibilidade de ações judiciais por parte dos oponentes do projeto mais adiante.

Os críticos temem que o projeto prejudique o meio ambiente e apontam para o histórico de terremotos na região.

O consórcio Eurolink foi escolhido para construir o projeto, originalmente orçado em € 3,8 bilhões, há 20 anos. A Webuild lidera o consórcio, que também inclui a espanhola Sacyr e a japonesa IHI.

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